E mais um pensamento flutuante... aonde será que me levará dessa vez? ]]
Priscila Fantin e Eduardo Moscovis na novela Alma Gêmea. Foto: Divulgação. " Uma alma está fadada a encontrar sempre sua alma gêmea? Ela sempre ouve ao chamado desta? Obrigatoriamente? Se não ouvir, está condenada ao sofrimento eterno? As histórias de amor citam o encontro de almas gêmeas. O Vale a Pena Ver de Novo me inspirou esse post. O ser humano cresceu ouvindo metáforas a respeito disso. Todos acreditam que um dia serão contemplados, como um prêmio da loteria, com esse fato tão lúdico! Justamente, por ser lúdico, pode ser real? Como pode uma alma se dividir em duas, não perderíamos nossa individualidade? Almas gêmeas não se reconhecem de pronto. Cada ser humano tem sua hora, seu tempo para digerir o almoço. Não somos metades de ninguém, pois se assim fôssemos, seríamos incompletos. Somos imperfeitos sim, porém não incompletos. E nossa “alma gêmea” não é perfeita. É gêmea, sim, por ser muito parecida conosco. Por passar pelos mesmos tipos de situações que nos amadurecem, sejam boas ou não. Crescem juntos. Aprendem juntos. Se amam, e por se amarem querem ver o bem do outro. Não importa se a felicidade está a quilômetros ou ao seu lado. Querem seu bem, sempre. Muitas vezes, acima do seu. Se preservam, se protegem, não são possessivos, pois se amam, e o amor não sufoca. Algo que aprendi sobre almas gêmeas recentemente é que não são imutáveis. Podemos mudar de alma gêmea, se ela se recusar a evoluir conosco. Mas não somos nós que determinamos quem deva ser ou não.
Ainda menina sonhava com príncipes encantados. Sabia que não encontraria príncipes, a não ser que fosse a algum país monárquico. Ainda assim, seria difícil me aproximar de qualquer que fosse. Tampouco que viriam em cavalos. A urbana realidade é muito mais prática, e carros existem para facilitar nossa vida. Via desenhos animados de princesas, príncipes e amores perfeitos, porém me identificava, vibrava muito mais com animes aonde existiam amores platônicos. Quando menina, minhas paixões eram platônicas. Sabia também que o “príncipe” não cairia do céu, como nos contos aonde aparecem salvando as princesas de perversos dragões, feiticeiros e bruxas invejosas. Foi quando comecei a encarar as baladas e a afastar os garotos que me apaixonava pelas cartas que enviava declarando minha paixão. Era demasiadamente insistente. Sempre achava que o problema estava em mim. Nesses desencontros, namorei rapazes, mas nunca me envolvendo como eles pareciam se envolver comigo.
Descobri que o problema não eram minhas cartas, mas os outros. As pessoas complicam demais as coisas, eu sempre fui muito descomplicada, apesar de exigente com certas características masculinas. Aprendi que príncipes encantados não existem, mesmo porque, se fossem encantados, perderiam a graça. Aprendi que nada é “imaculado”, “encantado”. Mas que existem príncipes que não tenham sangue azul, ah isso existem. Há vários em minha vida. Meu namorado e meus amigos são exemplos disso. Aprendi que homens não sabem lidar com a paixão, e que metem os pés pelas mãos por conta disso. Dizem coisas que não queriam dizer, fazem coisas que não deveriam. Acabam por afastar quem amam com atitudes infantis por não quererem sentir o que sentem, mesmo amando seu objeto de desejo. Ou então fazem coisas demais. São melosos demais, bobos demais, compreensivos demais. Acabam por trair por não saberem lidar com o que sentem, por querer mostrar aos amigos que não estão tão bobos quanto pensam, que são “pegadores” mesmo, que a mulher não atrapalha. Quando essa descobre, ficam mais confusos ainda, pedem pra voltar pra cometerem outro erro como esse futuramente.
E tudo isso por não saberem como lidar com o amor.
As mulheres fazem tudo intensamente. Mergulham de cabeça num relacionamento. Dizem que amam demais, que os homens que estão são os de sua vida, que não vê a hora de se casarem, gostam de sair com seus respectivos namorados pra fazerem inveja as outras solteiras. Estas, por sua vez, acabam pensando que para aquele homem estar com aquela mulher, é porque realmente é pra casar, porque gosta de estabilidade, porque deve ser especial. As que não querem compromisso pensam que se rolar transa ele não vai ficar em seus pés posteriormente, e que isso é bom, e que talvez fosse melhor se ficasse, largasse a namorada, daí elas namorariam. Ou não, esnobava, impediria que voltasse com a mulher seduzindo-o com sexo e beijos apenas pelo gostinho de se sentir especial. A priori, esse talvez fosse o plano para algumas. O problema é que mulher, ao final, sempre acaba se apaixonando quando entra nesses joguinhos. Mulher por mais que transe, envolve sentimento. Por isso que acaba considerando traição quando um homem comprometido se relaciona sexualmente com outra mulher. Ou com outro homem, o que vale é ser feliz, não é mesmo? Agora, homem encara o sexo simplesmente como sexo. No sentido bem literal da coisa. Não encaram como traição se eles assim fizeram. Se a mulher fizer, sim encaram. Por ser sexo, não envolve sentimento. É apenas sexo. Veem o sexo em outras mulheres bonitas. E a mulher que elegem é apenas deles. Não pode se envolver com outro de forma alguma. Se preocupam quando tem algum nível de amizade com outro homem. Afinal, é homem, pensa como ele. Homem basicamente só pensa em sexo. Mulher quer ser amada. Isso os gêneros que não estão apaixonados. Quando estão, o quadro não muda tanto. O que tem em comum é o fato de acreditarem encontrar sua alma gêmea.
As pessoas costumam falar que amam alguém, para depois amarem outra quando largam da primeira. Vulgarizam esse verbo tão bonito. É até estranho não dizer “Maria ama João” quando esta está apenas apaixonada. Seria algo assim: “Maria apaixona João”. E falar “Maria está apaixonada por João” envolve maior número de caracteres, e o ser humano é preguiçoso por natureza. Vulgarizam esse verbo lindo apenas por preguiça. Assim como que por preguiça não mudam o mundo para melhor, preferem ficar estagnados na comodidade da tecnologia, que apesar de nos beneficiar, como tudo que tem dois lados, também deixa a desejar em alguns pontos. Mas isso é assunto para outro post.
Eu sou a única pessoa que conheço que não quer encontrar sua alma gêmea. Não sei, ficaria muito limitada a essa pessoa. Não sei quanto tempo esse relacionamento duraria, pois, por sermos imperfeitos, pode muito bem não ser pra vida toda. E tragicamente nunca o é. Um dos dois acaba morrendo cedo. Talvez por não buscarem mais o que lhes enterneça. Talvez por terem cumprido sua missão. Não quero encontrar. Aprendi a não acreditar nesse tipo de amor para mim. Amar meu namorado inclusive pra mim é estranho, falo para ele sempre isso. Não por ser ruim, ao contrário, é muito bom. Mas por gostar. Não me imaginava apaixonada por alguém, pois nunca fiquei tanto. Aliás, já fiquei sim, quando era mais nova. Pessoas apaixonam-se e desapaixonam-se. Fazem isso com uma certa facilidade. Mas jamais pensei sentir isso com tanta intensidade novamente. Talvez meu erro seja racionalizar um sentimento.
Talvez não seja romântica. Mas foi a praticidade da pós-modernidade que me ensinou a ser assim. Talvez mude de idéia algum dia, quem sabe. Quando reconhecer minha alma gêmea e passar a acreditar em contos de fadas. Mas acho que nem assim. Afinal, fadas não existem, não é? "